Escrito em Fevereiro 24th, 2008 às 5:27 pm por Paulo Páscoa

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Devo a esses credores um total de 119 moedas de prata e 141 moedas de cobre. Preso a tais
compromissos e não vendo como pagar, em minha loucura permiti que minha esposa voltasse para o
pai, enquanto eu mesmo deixava minha cidade natal, somente para encontrar desgraça e ver-me
degradantemente vendido como escravo.

Agora que Mathon me mostra como posso saldar minhas dívidas a partir de pequenas somas
tiradas de meus próprios ganhos, percebo com clareza a grande extensão de minha loucura ao
fugir das conseqüências provocadas por minhas extravagâncias.

Por isso visitei meus credores e expliquei-lhes que não tinha outros recursos para pagar-lhes
senão minha capacidade para ganhar dinheiro e que eu tencionava destinar dois décimos de
tudo que ganhasse para a amortização das dívidas, honesta e periodicamente. Não poderia
desembolsar mais do que isso. Se fossem pacientes, com o tempo todas as minhas obrigações
estariam integralmente resolvidas.

Ahmar, que eu julgava ser o meu melhor amigo, injuriou-me amargamente, e me retirei
sentindo-me realmente humilhado. Birejik rogou que eu lhe pagasse primeiro, porque estava preci-
sando de ajuda. Alkahad, meu senhorio, revelou-se um sujeito desagradável e garantiu que me
poria em maus lençóis se eu não resolvesse logo a situação com ele.

Os demais tiveram a boa vontade de aceitar minha proposta. Por isso estava mais determinado
como nunca a resolver tudo aquilo, convencido de que é mais fácil acertar as dívidas do que evitá-
las. Ainda que não tivesse podido satisfazer integralmente as necessidades e os caprichos de alguns
poucos credores, negociei imparcialmente com todos.

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