Escrito em Fevereiro 24th, 2008 às 6:02 pm por Paulo Páscoa

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Assegurem uma renda para o futuro

Arkad começou a sexta aula com estas palavras:

—A existência de todo homem vai da infância à velhice. Esse é o caminho da vida, e nenhum homem
pode desviar-se dele a menos que os deuses o chamem prematuramente para o mundo do além. Por isso
digo-lhes que cabe a todo homem providenciar uma renda condizente para os dias futuros, quando ele não for
mais jovem, e providenciar que a família não fique na penúria, quando já não puder contar com ele para o seu
conforto e sustento. Esta lição lhes ensinará a prover uma bela reserva para quando o próprio tempo os
tiver tornado menos capazes de aprender.

“O homem que, em virtude de sua compreensão das leis da riqueza, adquire crescentes lucros
acumulados deve ter o pensamento voltado para os dias futuros. Deve planejar certos investimentos ou
provisão que dure com segurança por muitos anos, que estarão disponíveis quando chegar o tempo
que ele tão prudentemente previu”.

“Um homem pode prover-se com segurança para o futuro de diversas maneiras. Pode buscar um
esconderijo e ali enterrar o seu tesouro. Mas, por maiores que sejam os cuidados para ocultá-lo,
corre o risco de tornar-se uma festa para os ladrões. Trata-se, portanto, de algo que não recomendo a
ninguém.

“Pode comprar casas e terras para esse propósito. Se prudentemente escolhidas em função de sua
utilidade e valor futuros, permanecerão valorizadas, com possibilidade de ótimos rendimentos e até
de encontrar excelentes compradores, se for o caso de vendê-las.

“Pode confiar uma pequena soma ao emprestador de dinheiro e aumentá-la em períodos
regulares. Os juros que oemprestador acrescenta ao capital logo o tornará maior. Conheço um fazedor
de sandálias, chamado Ansan, que me contou um dia desses que todas as semanas, durante oito
anos, confiou a seu emprestador de dinheiro duas moedas de prata. O homem fez recentemente um
cálculo que deixou o fazedor de sandálias na maior felicidade. O total de seus pequenos depósitos
mais os rendimentos à taxa ordinária de um quarto de seu valor a cada quatro anos atinge
atualmente a soma de 1.040 moedas de prata.

“De bom grado encorajei-o a não parar de investir, demonstrando-lhe, através de meus
conhecimentos dos números, que em doze anos, desde que desse seqüência a essa economia de não
mais que duas moedas de prata em cada semana, o emprestador de dinheiro lhe devolveria quatro mil
moedas de prata, uma soma que o deixaria tranqüilo para o restante da vida.

“Com certeza, quando um pagamento tão pequeno, feito com regularidade, produz resultados
tão lucrativos, só podemos concluir que nenhum homem pode deixar de assegurar um tesouropara sua
velhice e a proteção da família, não importa quão prósperos venham se mostrando seus negócios e
investimentos.

“Gostaria de poder falar mais sobre isso. Em meu espírito permanece a crença de que algum dia
homens de tirocínio descobrirão uma maneira de o cidadão assegurar-se contra a morte através
de pequenos depósitos regulares, assim propiciando uma bela soma à família depois que tivesse de
passar para o outro mundo. Vejo isso como algo desejável, digno da mais alta recomendação. Mas
hoje ainda não é possível porque não haveria homem ou sócio com uma duração de vida sufi-
ciente para operar tal sistema, que deve ser uma coisa tão estável como o trono do rei. Sinto que
algum dia um plano como esse existirá e será uma grande bênção para muitos homens, porque
mesmo o primeiro pequeno pagamento tornará disponível uma razoável fortuna para a família
dos membros que viessem a falecer.

“Mas já que vivemos em nosso próprio presente e não nos dias que ainda estão porvir,
devemos tirar vantagem dos meios e métodos à disposição para realizar nossos propósitos. Por
isso recomendo a todos os homens que, por meios prudentes e bem pensados, se garantam
contra uma reserva minguada nos anos de sua maturidade. Pois uma carência de fundos para

um homem que já não se acha em condições de ganhar dinheiro ou para uma família sem seu
líder é uma dolorosa tragédia”.

“Aqui temos, portanto, a sexta solução para a falta de dinheiro. Seja previdente quanto às
necessidades de sua velhice e quanto à proteção de sua família.”

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